sábado, 9 de agosto de 2008

Minha alma sabe-me a antiga


Minha alma sabe-me a antiga
Mas sou de minha lembrança,
Como um eco, uma cantiga.

Bem sei que isto não é nada,
Mas quem dera a alma que seja
O que isto é, como uma estrada.


Talvez eu fosse feliz
Se houvesse em mim o perdão
Do que isto quase que diz.


Porque o esforço é vil e vão,
A verdade, quem a quis?
Escuta só meu coração.

Fernando Pessoa

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