"Convive com a angústia de um momento.
De outros. E outros. Outros.
Estuda. Trabalha. Respira.
Agasalha-se e vai ver o mar.
Deambula pela areia e vai parando.
Em cada ponto. A cada passo. A cada metro.
Como se o mar modificasse, inconstante, o seu bailar.
Depois corre. Foge-lhe. Foge do que ambiciona.
Agacha-se e olha-o de novo.
De mais longe. Longe demais!
Está só.
É só.
Vive tudo o que está onde não está.
Família. Amigos. Cão. Vida.
Volta a casa.
Regressa ao mar.
Volta a casa.
Regressa ao mar.
Mais e mais.
Deseja sempre o mar.
Mesma hora. Mesmo pesar.
Por vezes, de um local mais elevado, abraça-o.
Enche-o de lágrimas. Agita-o.
A sua presença.
O mar nunca é solitário.
Ela é.
Está só.
É só.
Um dia o mar terá de compensá-la."
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